Aventuras e desventuras de moças em permanente movimento migratório.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Chegou Dezembro

Prontos. Ainda ontem estávamos em Agosto de papo para o ar a apanhar um escaldão e agora eis que já é Dezembro. E nós vamos ter de falar sobre isto, dê lá por onde der, porque é Natal e em Dezembro é apenas do Natal que se fala.
Que o Natal se desvirtuou, passando de uma celebração religiosa a um período de ferocidade consumista, já todos sabemos. Se, porventura, embarcamos no teatro, isso já é um problema pessoal e instransmíssivel. Eu fiz a minha escolha. Nos dias que correm o meu Natal resume-se muito simplesmente a uma coisa e uma coisa apenas: comer! Tudo o resto são "fait divers".
Comecemos então pel'Àrvore de Natal, esse símbolo incontornável do espírito natalício. Só de pensar que tenho de fazer a Àrvore de Natal stressam-me os caracóis do cabelo. Fico doente das ideias só de me ver no meio daquela confusão de bolas, estrelinhas, fitinhas e merdinhas que à força terão de se unir com um senso criativo para o qual eu já não tenho a mínima das inspirações desde 1997. 
Por falar em decorações, falemos das luzinhas que todos os anos compro nos chineses, porque habitualmente (e vai-se lá saber porquê) se fundem, mesmo quando devidamente acondicionadas e fechadas durante 11 meses numa caixa na arrecadação. Vai-se lá perceber.
Ainda na minha curta e hedionda lista de cenas a fazer em Dezembro lugar de destaque para os presentes de Natal. É sem qualquer pudor que afirmo e sublinho mesmo antes de afirmar: ODEIO ESSA MERDA DOS PRESENTES DE NATAL! Puxar pela cabeça sobre o que oferecer a fulano e a sicrano enquanto se tenta sobreviver numa tempestade de gente nas ruas ou (pior) nos centros comerciais enquanto a Mariah Carey guincha o "All I want for X'mas is YOOOOOUUUUYYYYOOOOUUUUUUYYYYOOOOUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU" nos alto-falantes é uma tarefa hercúlea. A coisa até podia amenizar quando fosse hora de abrir os presentes que recebo, mas convenhamos, a minha existência continuaria a ser estupenda mesmo sem aquele par de chinelos em tecido polar, ou sem aquele gel de banho com pedaços de azeitonas dos himalaias ou até sem aquela toalha de mãos com o pai natal bordado. É pena, mas dou sempre por mim a pensar no desperdício de papel de embrulho. 
"Ah e tal, mas agora és mãe e com as crianças o natal é bem melhor" dizem-me. Pois tábem, abelha!
Não me lixem. Eu dispensava toda esta palhaçada, reduzia o Natal à mesa do dia 25 e a todas as várias mesas que lhe antecedem, porque em Dezembro o que interessa mesmo é estar sentado à mesa a comer e a beber com os amigos e com a família. 
Quando se é emigrante o cenário "mesa de Natal" assume nova e maior importância porque é habitualmente sinónimo de regresso a casa ou de ficar em casa longe da nossa "casa" ou até um "porra, que são tantas as saudades de casa". Em casa ou longe dela, sejam emigrantes ou não, desejo do fundo do coração que se empanturrem não apenas na quadra natalícia, mas em todo o mês de Dezembro. Desejo-vos mesas a abarrotar de azevias, fatias douradas e bolo-rei, bacalhau com todos ou só com natas e 31 perús recheados, um por cada noite de Dezembro. Pois se é para ser um período consumista, então que se consuma à grande toda e cada garrafinha de vinho até à última gota!

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Fonix, renascer das cinzas

Levamos chapadas da vida a toda a hora, ms há alturas que são tão fortes que nos abalam o sistema nervoso e provocam um tsunami tão devastador que nos faz fazer um reset à vida.
Nos meus 33 anos, a vida já me ensinou que tenho de alterar padrões para poder seguir em frente e romper com hábitos inconscientes e podres, mas insisto em levar as chapadas. Parece que sou teimosa. O último tsunami está a dar-me pano para mangas, lose the game its always a shit, mas quero ter a certeza que me fará crescer, evoluir e não voltar a cair na mesma esparrela, consciente sempre que tudo tem uma causa e um efeito. E "fuck" menos o próximo é um lema de vida!
Aprendi com a emigrantice a deixar os bens materiais não tomarem conta de mim, deixei casa, carro, família e amigos por algo que anteriormente tinha a certeza que iria funcionar, hoje tenho a certeza que poderia ter funcionado melhor caso eu, tivesse mais atenta aos sinais negativos. O fuck da questão é sempre esse: os sinais.
Por agora, aqui na emigrólandia consegui nova vida, novo trabalho, nova casa, novos amigos e nova cidade. Renasci e sinto que tenho em mim toda a força necessária para continuar, só preciso de mais uma coisa: tempo.
É fácil estar sozinha aqui? Sim é, basta concentrares-te nos teus objectivos e elevares a racionalidade ao ponto extremo mais alto do vulcão. A força que há em nós e a corrente que nos liga às pessoas é muito mais forte que uma desilusão ou perda. Agora tenho a certeza que gosto disto!
Aprendo todos os dias, que afinal não sou assim tão hiperactiva, só preciso de fechar os olhos e ver a calma escondida em mim. Que posso viver sem comer carne e que o chocolate afinal não me faz borbulhas. Voltar a sorrir depois de chorar, voltar a comer depois do jejum, são tudo fases e deveremos ter sempre consciência que o nosso corpo reflecte a nossa alma, se não cuidarmos dele quem cuidará? Já dizia a grossa do leite Matinal.
33. Capicua, sempre quis dizer alguma coisa, ano de mudanca, ano que renasci.
Estou feliz, mas há uma coisa que nunca muda, a minha Mãe continua a ter poder sobre mim...!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

FYI, Melbourne Cup

Imaginem um fim de noite num festival de música, ou melhor quando já começa a nascer o dia e há milhares de pessoas a fugir cada uma para o seu buraco como se houvesse o risco de que o primeiro raio de sol os pudesse transformar em pó, como aparentemente acontece aos vampiros. Toda aquela desordem e lixeira que fica para trás, aquele desespero em encontrar uns óculos de sol, aquele misto entre vamos só beber mais uma e só queria era bater os sapatinhos de rubi um no outro e aparecer milagrosamente em casa.
Agora imaginem o casamento de um dos vossos melhores amigos, estiveram a beber e a comer durante horas a fio, os collants já estão rasgado pelo menos em três sitios, a maquilhagem totalmente esborratada e os sapatos, os casacos e as gravatas já foram perdidos há muito... Estão a imaginar ambos os cenários? Ora bem a Melbourne Cup é uma mistura dos dois!
Vamos a números, a corrida principal dura 3 minutos, ocorre às 3 da tarde, vão cerca de 100 mil pessoas assistir e o Melbourne Cup Day é sempre na primeira terça feira de Novembro, que só por acaso no estado de Victoria é feriado, traduzindo batido de atum para toda a gente, isto é como quem diz “mete-se” a segunda-feira e toma lá um fim de semana grande!!!! Quem não quer saber das corridas (tipo eu) aproveita para fugir da cidade e os que ficam preparam-se para 4 dias embriagados!
Os homens vão de fato, fácil não é. As mullheres vão de vestido curto e com uma porra na cabeça que se chama “fascinator”, ver as fotos dos vestidos é tipo ver as fotos dos Globos de Ouro em Portugal, não são vestidos de gala mas é o mais fashion que há por aqui. Há pessoas que vão para as Marquees mas a sua larga maioria vão mesmo com uma geleira atrás carregadinha de comes e bebes para o picnic. Fino, não é? Lá se passa o dia a comer e a beber, enfâse no beber, enquanto se fazem apostas nos cavalos.
Quando acabam as corridas, começa o verdadeiro espectáculo! Milhares de pessoas arrastam-se dolorosamente a sair do recinto, mais uma vez a lembrar as séries dos zombies, porque não aguentam os sapatos ou porque pura e simplesmente não conseguem andar. Se por acaso tiver chovido, melhor ainda porque vem tudo cheio de lama até ao joelho. Há muitos que ficam esquecidos pelos amigos a dormir tranquilamente qual bela adormecida. Há os que vomitam num qualquer canto que esteja ali mais à mão e há uns quantos a trocar saliva com o novo amor da sua vida, que conheceram há mais ou menos 5 minutos. É algo digno de se ver, espero que as fotografias que se encontram online o ilustrem porque eu não encontro mais palavras. Nem sei que mais dizer, só queria mesmo que vissem...
Camisolas amarelas deste ano foram uma senhora que resolveu atirar com um policia ao chão e outra que resolveu despir-se à frente de toda a gente, vá vão lá à procura dos vídeos.
Algo fixe a destacar, mas mesmo muito fixe foi que este ano pela primeira vez na história da Melbourne Cup ganhou uma mulher e sabem o que ela disse aos que não queriam que ela sequer entrasse na corrida “You all get stuffed”.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Chegou, bolas!

Até que enfim que chegou o Inverno. Sim, eu sei. Só depois do equinócio mas importam-se que eu me sinta já no Inverno? Agradecida.
Toda eu sou do sol e do calor. Da praia e das esplanadas mas... o frio e o ar cinzento dos dias faz-me sentir em casa. Conforto. É isso: sinto conforto no frio da rua que antecipa o quente da minha casa. E nos dias curtos que me cheiram sempre a Natal. No fundo, vivo o espírito natalício todo o tempo que dura o tempo dos dias frios.
E viver o Inverno em Évora é cá mais bom... É verdadeiramente diferente de o viver em Lisboa.
Só para quando cá vim viver é que comprei o primeiro casaco de abafo.
Estou sem inspiração nenhuma. A verdade é essa. Não por falta de tema. Até tenho de sobra. Coloca-se-me é sempre o dilema de o passar ao papel e depois ser cruxificada em praça pública. Hoje até me apetecia mesmo falar sobre uma cena que me aconteceu há uns dias. Ou horas. Que tem a ver com a falta de dignidade e integridade do ser humano.
As pessoas lidam mal coma rejeição. Com o desapego dos outros. Não estou a falar de perda da morte. Da perda no jogo das relações humanas.
Não é fácil assumir a derrota. Porque, no fundo, acabamos por encarar os finais infelizes como derrotas. Seja porque se perdeu o emprego, se chumbou no exame, se perdeu a carteira, se o projecto não foi aprovado, se o crédito foi rejeitado ou se o gajo nos deu a tampa.
A grande diferença entre as pessoas vê-se na maneira de lidar com isso. Independentemente da causa. Não interessa se o projecto foi chumbado por ser uma merda ou se foi pelo facto do gajo da outra empresa concorrente andar a papar a tipa que faz a selecção. A maneira como encaramos isso é que faz de nós pessoas diferentes.
Tenho um amigo que me disse um dia que se a mulher dele o deixasse que se enfiava em casa uma semana, curtia a ressaca e depois levantava a vida em braços e ia à luta.
Conheço outro que, caso seja despedido, parte os dentes todos do patrão durante duas décadas.
Gosto de ambas as abordagens. São frontais (se acharmos que o tipo vai partir os dentes da frente do patrão) e são pessoais. São de autor. E são feitas às claras. E eu gosto de pessoas às claras. Sabemos o que dali se espera.
Mil vezes estas àquelas que se escondem e dissimulam e andam, por vezes anos, a acalentar e a mimar uma vingança doente e retardada.
Pensar nisto leva-me a pensar na quantidade de gente que está presa a coisas, sítios e pessoas com medo das consequências. Não da vida. Mas de ser vítima da maldade dos outros.
Mesquinhez. Detesto gente mesquinha.
Bem, não era isto assim tão soft que me apetecia dizer mas é o que pode ser.
Resumo da coisa: vou vestir o abafo e comprar castanhas. Fui.

sábado, 24 de outubro de 2015

Eu sei lá se são os cheneses ou o cuarago manina!!!

Vivo atormentada por um bicho chamado ciência política, económica e social portuguesa.
Sou emigrante, mas como disse um dia a minha amiga Isabel da Rocha, vais passar por vários estágios na tua vida de emigrante e, verdade seja dita e confirmada, não é que a Guru das emigrantices tem toda a razão, passo a explicar:
Primeira sensação quando saímos do nosso país é que tudo é shit, tudo é mau, todos os serviços e funcionários públicos são lentos, que tudo corre mal. Passas as férias a contar peripécias engraçadas, como as meias com sandálias ou os texugos debaixo dos braços que encontras numa viagem de Bus. Quando conheces os locais, quase que os obrigas a visitar os site do Turismo de Portugal, porque lá é que existem as melhores praias da Europa. 
Passando esta fase que dura mais ou menos 1 ano, começamos a pensar que as coisas não são assim tão más e que começas a defender algumas coisas que se fazem em Portugal. Após esta percepção de realidade patriota, começamos então por esta ordem, o período de saudade. Saudade de tudo o que nos fazia feliz, porque todo o resto é uma bela merdinha e continuará a ser, os salários baixos, as portuguesinhas mal educadas e revoltadas, as famílias sem um tostão, etc. 
Quando vamos de férias comemos que nem uma vacas, porque o que nos faz realmente falta é o pastelinho de bacalhau frito num óleo rançoso, numa tasca mal lavada e com cheiro a casa de banho encharcada de Sonasol ou até em muitos casos lixívia do frasco amarelo. 
Pensamos que aquela terra já não nos pertence e uma vez fora dela, nunca mais serás o mesmo, porque não interessa para onde emigraste, o português terá sempre a noção que a casa da mãe será sempre o porto seguro para alguma eventualidade no percurso. Casa que é nossa, mas no momento está emprestado ao irmão mais velho. Portanto as viagens de férias que no meu caso até são recorrentes, começam a fazer uma certa comichão ao português residente no país – Então mas tens assim tantas férias (e dinheiro??) sim porque vamos de avião, Ryanair mas avião!!! 
No segundo ano de emigrante, quase tudo no país de acolhimento começa a fazer alguma comichão, é a sandália de plástico, é o sovaco da outra, é o email que não chegou, porque aqui também há gente incompetente, é a vizinha que fritou salsichas, #euseilásesãooschinesesouocuarlhomanina. 
Há uma fase importante, esta a Isabel ensinou-me como descartar, (Alemã sinistra, conhecida): Olha Bita estou a pensar ir de férias a Portugal!!! Podes me aconselhar algo? Bita: Olha que bom! Sim sim eu depois envio-te um e-mail!!! Eu quero é que tu vás pó alhinho mais velho e vai procurar à Internet. Talvez se me tivesses apanhado no primeiro ano de emigrante, safafas-te com e-mail e sítio baratos, agora mando-te pá Comporta que até de fo#$#!!! Opá tenho lá eu agora tempo para procurar sítios para visitar em Portugal, sou alguma Viagens Abreu???
Começo do terceiro ano, ainda não sei o que me espera, mas ainda gosto de cá andar, o inverno faz-me bem, porque sempre posso meter o gorro e passar por alemã. Não tenho de conviver em sociedade porque está um frio do camandro e a minha casa é bem quentinha, digamos que hibernação até ao Natal, altura que vou a Portugal à terra comer um pastel de bacalhau na tasca da Javardona.



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Jogo da Bola

Quando não há Benfica a aquecer-me a alma, há o Napoli a aquecer-me as entranhas. A principio foi difícil habituar-me ao azul, mas o tom celeste lá acabou por intervir divinamente. Milagre! 
Domingo passado foi bonito ver a Fiorentina, em casa napolitana, levar um jeitoso 2-1 nas orelhas. O Paulo Sousa é certamente um fofinho, mas patriotismos no futebol só quando joga a selecção nacional. Até lá, contra o Napoli, é arrear quem vier! Enquanto via o Napoli a brilhar dei por mim a pensar no jogo do Mundial de Rugby do dia anterior entre All-Blacks e França. Fazer as habituais comparações entre as duas modalidades sobre fair-play de jogadores, àrbitros e público, é parlapié de pseudo-entendidos-amantes-da-matéria. É gastar latim, quando valores mais altos se “alevantam”. 
Urge comparar o que é verdadeiramente essencial: os calções dos jogadores. Pela vossa e pela minha saúde vistam um par de calças aos futebolistas de uma vez por todas porque aquela merda é uma afronta à palavra “calção”. A particularidade dos calções é serem curtos. SE NÃO SÃO CURTOS NÃO SÃO CALÇÕES! 
Os anos passam e aquela porcaria que os futebolistas vestem fica progressivamente mais longa. E não bastavam os calções estarem mais longos, a merda das meias também tinham de subir até à coxa. Não tarda levam um cinto de ligas para as segurar. 
P´LO AMOR DA SANTA! Os senhores da FIFA que se sentem a ver um jogo de Rugby (ainda faltam uns joguitos para terminar o Mundial) e atentem no comprimento dos calções dos jogadores – e até do àrbitro! Não sei se é uma questão de decoro ou uma questão de precaução para os meninos não apanharem frio nas coxas e não se constiparem, se os senhores do marketing fazem intenção de projectar publicidade nos calções dos jogadores como se fossem ecrãs televisivos ou se é uma espécie de greve inventada pelo sindicato dos jogadores de futebol, mas que estão a fazer figura de palhaços, lá isso estão. 
Salvo raras excepções, os futebolistas são rapazinhos de físicos tonificados, sempre interessantes e harmoniosos à vista enquanto alguns jogadores de rugby parecem carros de bois com coxas do diâmetro da rotunda do Marquês do Pombal e massa adiposa que dava para uma família inteira. Então porque raio é que os jogadores de rugby vestem t-shirts cada vez mais justas e calções mais curtos e os futebolistas se disfarçam de sacas de batatas?!? Mas que credibilidade, perante o público feminino, é que podem ter 11 gajos vestidos com roupa cinco números acima? Mas aquilo é alguma festa de pijama? Ainda querem vocês que as mulheres sigam o futebol de forma mais interessada. Eh pá,  experimentem vestir-se como deve ser e pode ser que descubram a pólvora! 
Chegou-se a um tal exagero de decoro que de cada vez que se vê um futebolista lesionado em campo e o médico que o assiste permite antever um pouco mais do seu físico, parece o início de um show de strip-tease tal não é o cúmulo a que se chegou. Só falta lançarmos uns assobios sonoros ao ar e gritar “Tira! Tira! Tira!”. 
Que os jogadores da NBA (e todos os outros que os tentam imitar) usem calções tamanho FONIXQUÉSGRANDECOMÓRAIOXXXXXXXXXXXXL é um problema deles, pois assim como assim à hora a que normalmente dão os jogos da NBA tanto faz jogarem de pelota ou de escafandro mas os senhores da Bola bem que podiam rever os equipamentos. 
Já não bastava chamar tecido técnico àquela viscose brilhante de qualidade altamente duvidosa.

domingo, 18 de outubro de 2015

IPhodace estou sem IPhone!

Viver num estrangeiro com frio, não me mete medo. Viver num estrangeiro sem IPhone, aí a coisa pega mal!!! 

A caminho de um compromisso importante o meu querido e utilitário IPhone deu-lhe o IPhodace e morreu, digamos que não stressei muito porque pensei que fosse a bateria (ah! Em casa carrego esta cena, não vou já stressar e tal e coisa), mas o cabresto chegou a casa e não ligou. Como que se de um AVC se tratasse automaticamente ligámos para o tinóni Apple.

Conclusão, sem demoras e no prazo de menos de 10 dias tenho aquele instrumento de trabalho, lazer e sanidade de volta ao aconchego da minha mala cheia de papéis de chocolate e bilhetes de Bus. Não é fácil saber e comprovar que se vive dependente de uma merda que pesa menos de 300 gramas e tem uma Siri. Mas o que me provoca stress e tristeza é como vou comunicar com as minhas amigas? A minha mãe? 

Aproveitando esta cena, vou tentar mudar de vida.

Dar valor às mãos que Deus me deu e continuar o trabalho, ver TV alemã e, adormecer com os sons do prédio, a vizinha tossir ou aquele espirro profundo que estremece os pilares. Ver que existe vida no Bus, ver que existem pessoas bem vestidas aqui, que afinal há vida para além de uma conexão de WIFI ou mesmo existem olhos que podem captar imagens ao invés de as fotografar. Posso até utilizar o PC quando estou em casa, mas vou aproveitar para acabar de ler aquele livro que veio de Portugal sem ser aberto porque a Ryanair não tem espaço nem para eu abrir uma garrafa de vinho, quanto mais para relaxar na minha leitura.

Posso até escrever cartas à minha mãe, mas a primeira pergunta que me faria seria: Estás parva? Eu tenho Facebook! Tenho cá tempo para ler carta em papel, manda um e-mail.

Poderia neste dias, fazer o desmame da tecnologia, tentar relaxar, tentar adivinhar qual a temperatura local, mas decidi escrever um post e queimar o cartuxo de dizer mal de alguém, eu escrevo sobre esta terrível realidade, uma emigrante sem telemóvel.

 Portanto eu decidi, nestes próximos dez dias pedir um phone emprestado, não há cá merdas nem cenas de BIO nóia, que as radiações fazem mal e o camandro. Opá tu dorme com o telemóvel longe da cabeça!!! (dizem as malucas daqui) - Filhas tomara eu, às vezes ter algum sinal de ondas magnéticas na minha cabeça, talvez houvesse mais movimentação cerebral e deixasse de fazer tanta merda!

É isso mesmo, sou dependente desta cena e não quero tratamento, só quero que os gajos da Apple me ponham uma bateria nova e que dure pelo menos um dia!

P.s. Apple fizeste coisas tan bouas, mas esqueceste-te de uma bateria que dure, principalmente às centenas de mensagens que recebo, das centenas de grupos que tenho. 



sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Ai Mãezinha…

Livros sobre maternidade é vê-los nas livrarias aos pontapés. Livros sobre emigrantices é coisa pouca mas há artigos nos jornais e nas revistas não faltam crónicas sobre o tema. Agora livrinhos, tipo guias com dicas e sugestões para Mães Emigrantes: ESSES NEM VÊ-LOS! 
Eu gosto de estar preparada, ter a lição estudada e confesso que se esta coisa de ser Mãe já não é pêra doce apesar de todos os avisos, fazê-lo no estrangeiro é como ter lições de condução na Madeira num carro sem travões. Como a grande maioria das mãe quando tenho um caso de emergência com a minha filha a primeira coisa que faço é ligar à avó, que para além de já ter experiência óbvia na matéria acrescenta ainda o título de enfermagem. Entre muitas situações, recordo-me da minha mãe ter dito “vai à farmácia comprar xarope de maçã reineta”. Eu fui e pedi o dito xarope, mas até hoje o farmacêutico está convencido que eu não sei a diferença entre uma farmácia e uma frutaria. No dia em que registamos a nossa filha, eu senti-me uma perfeita anormal por ter um nome completo com mais de cinco nomes, coisa de que a senhora que nos atendeu apenas se recordava de ter visto com uma moça columbiana “mas que não tinha tantos nomes como a senhora...tinha só 3”. De facto, deveríamos ser todos como os italianos, ter um, máximo dois, nomes próprios, um apelido apenas e 3,786.945 pessoas com o nome igual ao nosso. Ora digam lá se não É COISA MUUUUUITO MAIS INTELIGENTE!? Mas se há coisas que se explicam com um “culturas diferentes" há outras que nem na marra. Ora expliquem lá a uma mãe italiana que um cueiro não é um vestido e que os meninos recém-nascidos também os vestem...e assistam a uma mudança radical da sua expressão facial. Pois... 
Ainda há uns dias em conversa com uma outra mãe emigrante cheguei à conclusão que afinal não sou a única que passa a vida a responder à pergunta “mas então que língua é que falas com a tua filha?” e tentar manter uma perspectiva positiva de que já nem isso consigo porque depois de dois anos (quanto mais 15) fora nenhum – repito, NENHUM – emigrante consegue falar a sua língua materna sem pelo meio meter uma argolada estrangeira. Não há escapatória para o mais são dos emigrantes, é fisiológico: calinadas na língua materna é bicho que ataca as entranhas de todo o emigrante. Eu espero que a minha filha consiga aprender a falar um português decente, sem sotaques esquisitos que deêm motivo de galhofa, mas tendo em conta os pontapés exemplares que eu mando nos tomates da gramática portuguesa, a miúda está perdida. 
Não bastassem todos estes dilemas digam-me lá que raio de infância é a da minha filha num país que desconhece o Cerelac e o Nestum!

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Cenas sem interesse

Isto não está nada fácil. Nas últimas duas semanas devo ter escrito seguramente uma dezena de textos para o blogue, mas que por razões minhas acabaram não sendo publicados. Hoje, a Bita perguntava-me se eu já tinha escrito algum texto. Eu disse que sim. Mas também lhe disse que só tinha escrito merda. O que não é necessariamente verdade. Eram apenas queixumes. Depois pensei que essa tinha sido a minha visão das últimas semanas, que não sendo negativas, tinham sido maçudas, chatinhas.

Um dos textos era sobre os sinais de clara velhice que se me abateram que nem camiões TIR, em formato alergias. Eu não sei o que fazer à minha vida com isto. Sinto-me em osmose com os lenços de papel. E não bastando os àcaros a lixar-me a vida eis que é todo um mundo anti-estamínico, anti-alergénico e estirilizado a rebentar-me na cara com as sacanas das etiquetas dos preços sempre acima dos dois dígitos. A Pdi não falha.

Depois escrevi um texto sobre a maneira como as pessoas perdem trabalhos e empregos nesta terra. Assisti em menos de uma semana a dois casos de patrões sem escrúpulos que durante anos dão provas da sua cretinice e que decidem num momento de diarreia mental arrebatar a coisa com um despedimento ao género "eh pá, não venhas amanhã, que já não tens trabalho". Em poucos segundos a vida de quem é despedido, sem justo contrato quanto mais justa causa, fica suspensa. A filha da putice é coisa para me fazer sacar o dicionário minhoto do bolso e abrir na página "asneirada cabeluda".

Estava a campanha eleitoral a dar as últimas quando depois de ler no facebook um comentário ao género "quem não votar merece que lhe nasça uma árvore no cu" comecei a escrever um texto sobre a abstenção. Infelizmente, a grande maioria dos emigrantes que não votam é porque não lhes é facilitado o processo. Para vos dar um exemplo, desde que eu cheguei a Nápoles que o Consulado está encerrado. Se tenho de tratar de alguma coisa, ou simplesmente pedir uma informação mais burocrática tenho de ir a Roma - com data e hora marcada. Raras são as vezes em que a marcação me dá jeito, até porque de cada vez que vou a Roma são 200km. Ora acredito que muitos emigrantes desesperem para resolver "burocracias" em embaixadas a centenas e centenas de quilómetros, porque os serviços consulares simplesmente não existem ou pior porque foram encerrados nos últimos anos, coisa que não bate certo, sendo que os emigrantes são cada vez mais. O deputado do PAN seguramente batia palminhas de felicidade, mas antes que os cus dos emigrantes se tornem vasos de pinheiros bravos, favor deixar claro se querem que os emigrantes também votem.

Eu disse-vos que eram textos sem interesse rigorosamente nenhum.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Faço tricot e atão?



  na página: https://www.facebook.com/bitaschon)


Optar por uma postura positiva depois de um verão espectacular em Portugal, não é de todo a minha praia. Nasci de cu virado para a lua, mas agora a lua parece que se virou para o outro lado e eu tive de emigrar.
As coisas nunca são fáceis para nenhum ser, até o nosso fofo Cristiano Ronaldo teve de lançar uma linha de sapatos e ser entrevistado pela anoréctica da Diana super model of the world, então porque seria eu a sortuda do século? E não ter de ralar com os coutos no mercado de trabalho?

 (Lamento informar-te Bita, mas o teu cu deixou de estar virado para o ângulo directo da lua e ou começas a trabalhar ou aquela malinha Chanel não vai ser só um desejo de Natal da Pepa!)

De modos que, para além da carreira blá blá, dedico me a uma cena que para além de ser melhor que a yoga, dou largas a minha intensa e inesgotável criatividade, chamem o que quiserem, mas eu faço tricot!

Posto isto, visto ter dedos para a coisa, há uns tempos atrás decidi fazer uma venda directa ao público e fui de banca armada para uma feira  da universidade de Mainz. Montei a barraca, expus o meu trabalho. As bancas que estavam ao meu lado, vendiam roupa usada, bem como biquínis, camisolas com manchas de suor etc, tudo a dois euros.  Não tardou e as alemonas comentaram as minhas criações únicas e exclusivas:
 - és tu que fazes? À mão? Uau! Quanto custa? Ahm tão caro (20 euros)!
 (Ó puta é caro? É feito à mão, e é novo! Não são como as cuecas que compraste na banca aqui do lado, que foram usadas e besuntadas por aquela vendedora que deve tomar banho só na altura do Oktoberfest!)

Nesse dia vendi pouco e, fiquei triste, porque esta sociedade de loiras com as beiças pintadas de encarnado, não sabem o que é artesanato, hand made, não entendem que existe um fio de lã que depois enrolado e manejado com destreza se transforma em arte, que pode ser usada nos pescoços de pessoas com bom gosto!
Desisto e, informo que as maiores encomendas que tenho são para Portugal e apesar da crise e blá blá pardais ao ninho, nós sabemos dar valor à cena de dar ao dedo e fazer arte ou whatever com as manaplas.

Todas as minhas criações são para vocês minhas portuguesas cheias de pinta, porque estas meninas apesar de ganharem vinte vezes mais que vocês gastam dinheiro em second hand em bancas de feira e, preferem usar um cachecol feito na Indonésia, do que um original feito pela Bitaschön.

Deixem I'll be back e quando quiserem venderei e enrrabarei com o punho dos meus altos preços!
Por favor não deixem morrer esta minha criatividade e façam LIKE na minha página, só abro a loja no Natal, ou levo para PORTUGAL ou envio por correio internacional (que não é assim tão caro)



Vá a veri... que tenho de ir trabalhar!

Já que me autorizam a publicidade: Tomem lá disto!