Aventuras e desventuras de moças em permanente movimento migratório.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ana, Évora

Ainda ando para perceber como se vence o jetlag de uma migração. Ando há 14 anos nisto e ainda me sinto apalpada. Alias, cada vez que acordo sinto picadas agudas de jetlag na cabeça.
As minhas jetlagersfriends andam uns dias com os sonos trocados mas podem ouvir uma língua diferente quando saem de casa. Podem habituar-se a beber café que não presta, a comprar iogurtes sem perceber o que diz no rótulo, a olhar para os jornais sem perceber patavina nos primeiros tempos... Isto para não falar que podem fazer compras no freeshop (o que inclui lingerie na Victoria's Secret) de cada vez que "vão para casa" ou "vêm à terra".
E eu? Continuo a ter o melhor café do mundo, a perceber as parangonas todas, a encontrar no supermercado tudo aquilo que sempre encontrei. E, com sorte, até encontro supermercados com a mesma disposição de corredores... Mas não oico falar estrangeiro. Apesar de, por vezes, me sentir lá.
Porque, afinal, mudei-me. Toda. Mudei a minha vida. E entre mim e de onde eu sou há toda uma auto estrada que, tantas vezes, parece do outro lado do mundo.
Migrar implica que se está tão perto, tão perto que as saudades são ainda maiores. Migrar é passar a não estar nem cá nem lá. É passar o tempo a comparar. Até ao dia em que nos decidimos aculturar. E fazemo-nos. Criamos amigos e estes passam a ser tão bons como os "de lá". E os "de lá" começam a gostar de vir cá. E, de repente, até nem é pior migrar.
E gosto mesmo de cá viver.
Só não percebo porque ainda me enervam os pássaros de manhã. Se calhar, aquelas picadas agudas na cabeça são sintoma de jetlag. Ou ressaca do barulho dos carros a passar na Fontes Pereira de Melo...




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