Aventuras e desventuras de moças em permanente movimento migratório.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Isabel, Nápoles

No outro dia fui jantar a casa da minha cunhada. Jantarinho simpatico, entre família, ao qual se juntaram dois amigos do meu homem. As crianças adormeceram no entretanto e isso ditou o final do jantar. Antes de sair de casa da minha cunhada com a minha filha ao colo, pedi a um dos amigos para levar um saco cheio de tralhas que tinha de trazer para casa e ao outro amigo pedi que me levasse os sapatos de salto alto que a meio do jantar troquei por um par de sabrinas – que se os saltos não sairem à rua nestas ocasiões, não saem nunca!
Desci as escadas do segundo andar até ao carro na garagem onde coloquei a Irene na cadeirinha. Passados dois minutos, talvez menos, desceram eles. Um trazia o saco das tralhas, o outro não trazia nada. – Os meus sapatos? – perguntei. O meu homem apressou-se a acenar-me com um sapato – Um está aqui, o outro está dentro do saco! Seguimos viagem num carro só, dando boleia aos amigos e chegando a casa larguei sapato e saco de tralhas num canto da sala pensando “amanhã arrumo”.
Dia seguinte, fresca e viçosa, aí vai ela arrumar as tralhas. Saco esvaziado, tralhas arrumadas, um sapato apenas. Um sapato apenas? UM SAPATO APENAS?!? Rabo alçado pela casa numa busca incessante pelo outro sapato. “Talvez tenha sido o cão ou a Irene a fazer desaparecer o sapato”, pensei.
Passada uma hora de buscas, liguei ao meu homem, fi-lo revirar o carro e ligar aos dois amigos. Liguei à minha cunhada e fi-la revirar a casa. Liguei aos amigos e obriguei-os a repetir mil e uma vezes o que tinham feito naqueles dois minutos em que eu segui na frente com a minha filha ao colo. Liguei e voltei a repetir todas estas ligações umas dez vezes num espaço de 15 minutos. A fanática do CSI que vive em mim, estava ali de cotonete em riste a jogar todos os trunfos nos interrogatórios, em busca de provas.
A verdade estava por descobrir e a pergunta era uma e uma apenas: MAS ONDE É QUE AQUELAS TRÊS AVENTESMAS ENFIARAM O FILHA-DA-MÃE DO MEU SAPATO?!?!?
Time to face the facts: o sapato desapareceu entre a porta do apartamento da minha cunhada num segundo andar e o porta bagagens do carro do amigo do meu marido. Puff!
Estou desolada. Aliás, estou desoladíssima. Era um sapato lindo, cor caramelo, um made in Italy em vero cuoio. Ficava bem com tudo, principalmente com o seu par.
Já passaram 5 dias desde o desaparecimento do sapato e eu continuo na fase de negação. Já ouvi todo o tipo de promessas, incluíndo “nós juntamo-nos os três e oferecemos-te um par de sapatos novo”, mas nenhum sapato será como aquele sapato que ficou algures, sabe-se lá onde, entre quatro lances de escada e um porta-bagagens.



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